
Três meses após o colapso no sistema público de saúde do Amazonas, o presidente Jair Bolsonaro esteve nesta sexta-feira (23) na capital do estado para inaugurar um pavilhão de eventos e ser agraciado com o título de cidadão amazonense. O chefe do Executivo aproveitou a ocasião para criticar opositores e fazer um aceno ao seu ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que ganhou um cargo, hoje, e voltará para Brasília.
"[Ganhei o] Título de cidadão amazonense e estou orgulhoso pelo momento do Brasil e pelo momento que passou [superou] nosso estado [do Amazonas]. Ninguém esperava. É um reconhecimento da maioria da Assembleia Legislativa, da parceria do governo federal com o estado e a capital Manaus", afirmou Bolsonaro.
Em janeiro, os hospitais de Manaus ficaram lotados e pacientes morreram asfixiados por falta de oxigênio, um insumo básico. O governo afirmou, na época, que não havia como prever o colapso no sistema público de saúde local em função da nova cepa (variante) do coronavírus que começou a circular na capital amazonense.
Por conta disso, Pazuello é investigado por suposta omissão na gestão da crise do coronavírus no estado. Em março, quando o ex-titular da Saúde já havia sido exonerado, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a remessa de inquérito contra ele à primeira instância, na Justiça Federal do Distrito Federal. O pedido havia sido feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
Vale ressaltar que, na semana passada, ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) sinalizaram que devem punir o general da ativa e seus auxiliares. Relator da ação sobre a conduta do Ministério da Saúde durante a crise sanitária, o ministro Benjamin Zymler disse que a pasta evitou assumir a liderança do combate ao novo coronavírus no país.
Criticado pela gestão na pandemia, Pazuello perdeu o cargo há cerca de um mês, mas nesta sexta-feira foi nomeado por Bolsonaro para um cargo na Secretaria-Geral do Exército. A nomeação permite que ele saia de Manaus, onde estava lotado, e se fixe na capital federal, deixando seu posto na 12ª Região Militar, no Amazonas.
Conforme antecipou o R7 Planalto nesta quinta-feira (22), o ex-titular da Saúde foi alocado ao posto para, depois, ser transferido à Secretaria-Geral da Presidência da República. A pasta é chefiada por Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que foi deputado entre 2003 a 2019 e possui experiência no Congresso Nacional.
Onyx tem a tarefa de treinar o ex-ministro da Saúde para falar na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19 no Senado, que investigará possíveis omissões do governo federal no combate à crise sanitária. Pazuello é um dos alvos das apurações do colegiado.
Durante o evento de hoje no Amazonas, tanto Bolsonaro quanto o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), aproveitaram a cerimônia de inauguração do Pavilhão de Feiras e Exposições do Centro de Convenções do Amazonas, em Manaus, para elogiar Pazuello.
"Conseguimos com a equipe de Brasília colaborar e muito para que os danos dessa pandemia fossem amenizados. Em especial o ministro que tive até pouco tempo: o Pazuello. E aqui o [Marcelo] Queiroga que dá seguimento ao trabalho", disse o presidente.
Pressionado pela oposição e às voltas com a CPI, que tem sua reunião inaugural na próxima terça-feira (27), Bolsonaro aproveitou para criticar seus adversários.
"O Brasil começou a sair das garras da nefasta esquerda brasileira. Imaginem essa pandemia com [Fernando] Haddad [candidato petista à Presidência derrotado em 2018] presidente. Estaríamos num lockdown nacional", disparou. "Lamentamos aqueles que usam o vírus para fins políticos. Nosso inimigo é um só e tenho certeza que, com Deus e povo, venceremos estes obstáculos."
Além da inauguração do centro de eventos, que teve investimentos de R$ 40 milhões apenas do governo federal, ministros do Planalto que acompanhavam o chefe do Executivo anunciaram o repasse de R$ 1,2 bilhão do Fundo Geral do Turismo para a recuperação do setor no estado e a doação de 310 mil cestas básicas por meio do Projeto Brasil Fraterno.
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