
O ano de 2026 será decisivo para o futuro fiscal dos municípios e pode definir o rumo das receitas pelas próximas décadas. O alerta foi feito pelo diretor do setor público da consultoria ROIT, Gelson Severo Filho, na palestra sobre “Reforma Tributária e os Municípios”. A apresentação foi feita nesta quinta-feira (26), no II Encontro Mato-grossense de Municípios.
“As decisões tomadas pelos gestores neste ano terão impacto direto nos próximos 50 anos. Os gestores serão lembrados pelo que fizerem ou deixarem de fazer neste momento”, informou. Ele defendeu ainda que a gestão pública precisa se apoiar em três pilares: pessoas, tecnologia e recursos. Ações simples, mas bem direcionadas, podem garantir ganhos expressivos de arrecadação ao longo do período de transição.
Segundo o especialista, as mudanças trazidas pela reforma tributária já colocam os municípios diante de um novo cenário fiscal, com impacto direto na arrecadação e na capacidade de investimento pelos próximos anos. Com regras já definidas e uma transição em andamento, o desafio agora deixa de ser teórico e passa a ser prático: se preparar para não perder receita e, quando possível, ampliar ganhos.
“A reforma tributária é, na prática, uma reforma do modelo de negócios do país. Para os municípios, o impacto é ainda mais sensível, porque estamos falando de uma transição longa, com efeitos que podem durar até 50 anos”, afirmou.
O modelo já aprovado tende a penalizar estados e municípios com menor densidade populacional, como é o caso de Mato Grosso, o que exige ainda mais preparo por parte das gestões locais.
“A reforma já é uma realidade, está na Constituição e com leis regulamentadas. Não tem volta. O que os gestores precisam agora é se preparar, organizar suas bases, investir em tecnologia e qualificar suas equipes para enfrentar essa transição”, pontuou.
O prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, destacou que o acesso à informação qualificada é fundamental para que os gestores consigam tomar decisões mais seguras.
“Quando a gente participa de discussões como essa, já recebe informações consolidadas, com base técnica e experiência. Isso evita erros, melhora a gestão e quem ganha com isso é a população”, disse.
Ele também ressaltou que uma gestão mais bem orientada reduz riscos de penalizações e aumenta a eficiência na entrega de serviços públicos.
Já o vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo, reforçou que o momento exige atenção redobrada dos gestores.
“A reforma tributária está começando agora e ainda é um tema novo para muitos gestores. Por isso, levar informação, capacitar equipes e preparar os municípios é fundamental para garantir que essas mudanças não prejudiquem a população”, afirmou.
Segundo ele, o fortalecimento técnico das equipes e o alinhamento entre gestores são caminhos para enfrentar os desafios impostos pela nova legislação e transformar as mudanças em oportunidades.
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