
O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, confirmou nesta terça-feira (18), em seu depoimento na CPI da Covid, que recebeu a carta da Pfizer cobrando o governo por respostas às ofertas de vacinas, mas que não avisou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) do documento.
"Tive conhecimento do tema, e o telegrama de Washington também esclarecia que a própria embaixada em Washington já havia antecipado também para a assessoria internacional do ministério da Saúde", respondeu ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Ele então foi interrompido pelo parlamentar, que o perguntou se ele não comunicou Bolsonaro porque pensou que o mandatário já sabia da carta. "Porque eu presumia que o presidente da República já soubesse", confirmou Araújo.
A carta, escrita pelo presidente da Pfizer, Albert Bourla, foi endereçada ao presidente Jair Bolsonaro, com cópia para o vice-presidente, Hamilton Mourão, o então ministro da Casa Civil, Braga Netto, o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o embaixador do Brasil nos EUA, Nestor Foster.
Conforme mostrou reportagem do R7, a embaixada do Brasil em Washington, nos EUA, comunicou oficialmente o Itamaraty ainda em 15 de setembro de 2020 sobre a carta enviada pela Pfizer, no dia 12 daquele mês.
Na carta, a Pfizer relembrou as ofertas feitas um mês antes, em agosto de 2020, por 70 milhões de doses. No telegrama, a embaixada pontua trechos da carta onde a Pfizer fala que a rapidez do governo para fechar o contrato seria "crucial" para garantir as doses ainda em 2020, devido à alta demanda de outros países que já negociavam com a farmacêutica.
O documento se soma às revelações na CPI do ex-secretário Especial de Comunicação Social da Presidência da República, Fabio Wajngarten, e do gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo. Os dois convocados afirmaram que o governo não respondeu às ofertas da farmacêutica, enviadas desde agosto de 2020.
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