
No retorno à CPI da Covid nesta quinta-feira (20), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello procurou se blindar contra perguntas que indicavam possíveis omissões e erros nas decisões relativas ao enfrentamento da pandemia de covid-19.
Ele afirmou, por exemplo, que não pode ser considerado o "único responsável" pela crise sanitária no Brasil, apesar de ter sido o ministro que mais tempo comandou a pasta da Saúde durante a pandemia - dez meses. Opinou que a responsabilidade precisa ser dividida com demais gestores: "Todos os gestores em todos os níveis são responsáveis", declarou, em sintonia com o discurso dos senadores governistas da comissão.
O ex-ministro afirmou que o governo desistiu de fazer uma intervenção no Amazonas, que viveu grave crise de falta de oxigênio em janeiro, após ouvir o governador Wilson Lima (PSC) em reunião de ministros com o presidente Jair Bolsonaro. "O governador se explicou e foi decidido pela não intervenção", afirmou Pazuello. Pelo menos 31 pessoas morreram por falta de oxigênio em Manaus entre 14 e 15 de janeiro, e vários pacientes precisaram ser transferidos.
A mensão a Bolsonaro foi a única de maior relevância durante o segundo dia de CPI. Assim como na quarta-feira (19), primeiro dia do depoimento, Pazuello afastou possíveis responsabilidades de Bolsonaro em diversas decisões, como as envolvendo compra ou não de vacinas ou a recomendação de tratamento precoce com cloroquina.
As perguntas desta quinta tiveram foco maior na atuação do ministro. Sobre os possíveis atrasos para a conclusão de um contrato de compra de vacinas com a Pfizer, o ex-ministro destacou que não poderia ser o responsável direto por negociar, e que essa atribuição era da área administrativa do ministério.
Ele afirmou que, ainda assim, o trabalho de sua gestão foi no sentido de pressionar o laboratório americano a flexibilizar cláusulas para fechar o contrato com o Brasil. No entanto, apesar das cinco ofertas no ano passado para a negociação de 70 milhões de doses, que começariam a chegar em dezembro de 2020, um acordo não foi fechado por decisão das "áreas jurídicas" de diversos órgãos envolvidos no tema. Ele cita orientações da CGU (Controladoria Geral da União) e da AGU (Advocacia-Geral da União) contra a celebração do acordo, sendo rebatido por senadores que argumentam que os órgãos não foram taxativos contra a aquisição.
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