
O presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais na manhã desta quarta-feira (2) para fazer uma defesa enfática da médica oncologista Nise Yamaguchi, que foi ouvida nesta terça-feira (1º) na CPI da Covid no Senado. Entre os pontos mais polêmicos de quase sete horas de depoimento, chamaram a atenção as acusações de ela fazer parte um "gabinete paralelo" no Ministério da Saúde e a suposta de tentativa de alteração da bula da cloroquina.
A médica, que participou de discussões junto ao governo sobre estratégias contra covid-19 e foi cotada para ser ministra da Saúde, foi bastante questionada sobre a defesa que faz do tratamento precoce e do uso da cloroquina para pacientes com covid-19. Ela afirmou haver evidências científicas dos benefícios e que se sentiu em um "estado de exceção" diante das cobranças e críticas dos senadores nesta terça.
Nise foi criticada por alguns senadores, como Otto Alencar (PSD-BA), que chegou a se exaltar. "A senhora não sabe nada de infectologia. Nem estudou, doutora", afirmou. Diante disso, a médica afirmou que se sentiu "agredida" e em um "gabinete de exceção" na CPI.
"Minha solidariedade à Dra Nise, médica e cientista com extenso currículo, que participou de um verdadeiro tribunal de exceção. É inadmissível que profissionais de saúde sejam tratados de forma tão covarde!", postou o presidente Jair Bolsonaro nesta manhã.
Bolsonaro continuou o post dizendo ser necessário respeitar "a autoridade e a autonomia médica", em referência à indicação de tratamento off-label (fora da bula), e voltou a criticar os trabalhos da comissão. "Médicos devem ter liberdade para salvar vidas e isso vem sendo ameaçado por um grupo político que atua visando somente atacar o Governo enquanto nega investigar desvios de recursos para o combate à pandemia."
Senadoras, como Leila Barros (PSB-DF), chegaram a levantar a questão de que a médica estaria sendo interrompida, ontem, por senadores homens com maior frequência do que outras pessoas que foram à CPI pelo fato de ser mulher.
Nise contradisse o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, que afirmou à comissão que a médica propôs mudança da bula em reunião no Palácio do Planalto no ano passado. Também apresentou versão contrária à do ex-ministro Luiz Henrique Madetta, que afirmou ter visto na reunião uma minuta para alterar a bula da cloroquina.
Sobre o assessoramento ao governo sobre a pandemia, a oncologista negou que o encontro realizado com autoridades do governo em abril do ano passado tivesse sido uma reunião de um suspoto gabinete paralelo e não oficial do governo para aconselhamento e decisões envolvendo à pandemia.
"Fui convidada científica para a reunião, uma reunião oficial, dentro da Presidência da Casa Civil, com o ministro da Saúde [Mandetta] e o presidente da Anvisa", afirmou.
Em julho do ano passado, Nise Yamaguchi foi suspensa pelo Hospital Albert Einstein por fazer uma analogia entre o pânico da pandemia e o Holocausto - como é conhecido o genocídio de 6 milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial.
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