
Integrantes da CPI da Covid, incluindo os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL), respectivamente presidente e relator da comissão, divulgaram nota pública na noite desta quarta-feira (2), após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional. Durante cinco minutos, o presidente destacou as ações tomadas pelo governo para o enfrentamento da pandemia e para a retomada da economia. Sob pressão, Bolsonaro afirmou que toda a população será vacinadá em 2021.
"A inflexão do Presidente da República celebrando vacinas contra a Covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso. O Brasil esperava esse tom em 24 de março de 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de ‘gripezinha’", diz a nota. "Um atraso de 432 dias e a morte de quase 470 mil brasileiros, desumano e indefensável."
Segundo a nota divulgada pela CPI, a fala de Bolsonaro deveria ter sido materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, "quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população brasileira". "Optou-se por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a covid-19."
Para os senadores que assinam a nota, a reação Bolsonaro "é consequência do trabalho desta CPI e da pressão da sociedade brasileira que ocupou as ruas contra o obscurantismo. Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais. A CPI volta a lamentar a perda de tantas vidas e dores que poderiam ter sido evitadas".
Além de Omar Aziz e Renan Calheiros, assinam a nota os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Eduardo Braga (MDB-AM), todos titulares da comissão. Entre os suplentes, Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Rogério Carvalho (PT-SE).
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