
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (22), projeto que dá prioridade no Bolsa Família a mulheres vítimas de violência doméstica que estejam sob medida protetiva de urgência. O Projeto de Lei (PL) 3.324/2023 , da senadora Zenaide Maia (PSD-RN), recebeu relatório favorável da senadora Leila Barros (PDT-DF), que mudou o texto e foi acatado pela CAS. O projeto agora segue para análise da Câmara dos Deputados, a menos que haja pedido de um décimo dos senadores para votação no Plenário do Senado. A reunião foi presidida pelo senador Humberto Costa (PT-PE).
Segundo a relatora, quanto maior a dependência econômica da mulher, menor a chance de ela denunciar a violência que sofre.
— A inclusão emergencial da mulher em situação de violência doméstica e familiar entre os beneficiários do Bolsa Família não apenas contribui para a redução da pobreza e da desigualdade, mas também estimula a denúncia por parte de vítimas economicamente vulneráveis e, por conseguinte, contribui para a redução da violência contra mulher.
A opinião da senadora possui respaldo na 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, de 2023, do instituto DataSenado. De acordo com o estudo, quanto menor a renda, maior a chance de a mulher sofrer violência doméstica. Ainda segundo o instituto, três a cada dez brasileiras já foram vítimas de violência doméstica.
Conforme o projeto, para usufruir da prioridade, a mulher vítima da violência deve ser a responsável pela família e também precisa se enquadrar nos outros requisitos de renda do programa, e futuro ato do governo federal deverá trazer novas normas sobre a prioridade.
Emendas
Leila alterou o texto de Zenaide para restringir a prioridade aos casos em que a vítima esteja “sob monitoramento de medida protetiva de urgência” concedida pelo juiz. O requisito será observado tanto na preferência para o ingresso quanto para o reingresso no programa.
A relatora também especificou que a vantagem é uma “preferencial”. No texto de Zenaide, o atendimento no Bolsa Família seria em caráter “emergencial”.
Leila explicou que a mulher em situação de violência doméstica e familiar já é inscrita pelo juiz no cadastro dos programas assistenciais do governo federal, estadual e municipal. Porém, para a senadora, a simples inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) não garante o apoio célere à mulher e seus dependentes vítimas de violência doméstica e familiar.
O projeto já foi aprovado nas Comissões de Direitos Humanos (CDH) em 2023, sob relatoria da senadora Ivete da Silveira (MDB-SC), e de Assuntos Econômicos (CAE) em março de 2024, na forma do relatório da senadora licenciada Augusta Brito (PT-CE).
Senado Federal Ampliação do número de pediatras no SUS está na pauta da CAE
Senado Federal Girão cobra informações sobre desaparecimento de cearense no exterior
Senado Federal Confúcio Moura defende EJA profissional e destaca novo secretário de Educação Mín. 21° Máx. 28°